É o erro clássico de quem contrata pela primeira vez: fazer contas ao salário e esquecer o resto. Depois chega o processamento salarial e a surpresa. Vamos pôr as contas todas na mesa, com os valores de 2026.
As parcelas do custo real
- Salário bruto x 14: em Portugal pagas 14 meses por ano (12 salários + subsídio de férias + subsídio de Natal). O salário mínimo em 2026 é de 920€.
- TSU patronal, 23,75%: por cada 100€ de salário bruto, entregas 23,75€ à Segurança Social. Ao salário mínimo, são 218,50€ por mês, também sobre os subsídios.
- Subsídio de alimentação: não é obrigatório por lei geral (muitos contratos coletivos obrigam), mas é prática corrente. Em 2026 está isento de impostos até 6,15€/dia em dinheiro ou 10,455€/dia em cartão. Em 22 dias úteis, são 135€ a 230€ por mês.
- Seguro de acidentes de trabalho: obrigatório. O prémio varia com a atividade: cerca de 0,5% da massa salarial em funções administrativas, 3% ou mais em setores de risco como a construção.
- Medicina do trabalho: obrigatória, tipicamente 50€ a 100€ por trabalhador por ano.
- Formação: a lei garante um mínimo de 40 horas de formação anual por trabalhador.
Exemplo 1: salário mínimo (920€)
- Salário anual: 920€ x 14 = 12.880€
- TSU patronal: 12.880€ x 23,75% = 3.059€
- Subsídio de alimentação (6,15€ x ~220 dias): ~1.353€
- Seguro de acidentes de trabalho (~1%): ~130€
- Medicina do trabalho: ~80€
Total anual: cerca de 17.500€. Custo médio mensal: ~1.460€, para um trabalhador que recebe 818,80€ líquidos. Só de encargos além do salário bruto, a empresa paga mais de 4.600€ por ano.
Exemplo 2: salário de 1.200€
- Salário anual: 1.200€ x 14 = 16.800€
- TSU patronal: 3.990€
- Subsídio de alimentação: ~1.353€
- Seguro + medicina do trabalho: ~250€
Total anual: cerca de 22.400€. Custo médio mensal: ~1.865€. A regra dos 130% a 145% confirma-se: 22.400€ / 16.800€ = 133%, antes de contar equipamento, software e o teu tempo de gestão.
Quando pensares "posso pagar 1.200€ a alguém", lê "custa-me 1.865€ por mês". É essa a conta que tem de caber na tesouraria.
Os custos que ninguém põe na folha de cálculo
- Recrutamento: anúncios, triagem de dezenas de candidaturas, entrevistas. Semanas do teu tempo.
- Onboarding e admissão legal: contrato, comunicação de admissão à Segurança Social antes do 1.º dia, seguro, ficha aberta no contabilista. Falhar prazos aqui dá coimas.
- Equipamento e posto de trabalho: computador, software, secretária, telemóvel.
- Produtividade em rampa: nos primeiros meses, o trabalhador ainda está a aprender e ocupa tempo de quem já lá está.
Como baixar a conta (legalmente)
- Apoios à contratação do IEFP: a contratação sem termo de jovens, desempregados ou em territórios do interior pode ter apoios com majorações. A Incentiva.pt, do nosso grupo, trata dessas candidaturas: a análise inicial é gratuita e o preço de cada etapa seguinte está publicado no site dela.
- Subsídio de alimentação em cartão: o limite isento é maior (10,455€ contra 6,15€), o que permite dar mais valor líquido ao trabalhador sem pagar mais impostos.
- Contratar só quando a função enche um horário: se o que precisas são 10 a 15 horas por semana de trabalho administrativo, uma avença de backoffice sai bastante mais barata do que um posto de trabalho completo. Fizemos essa comparação no artigo quanto custa um assistente administrativo.
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Perguntas frequentes
Quanto custa um trabalhador ao salário mínimo em 2026?
Com o salário mínimo de 920€ em 2026, o custo médio para a empresa ronda os 1.460€ por mês: os 14 meses de salário diluídos em 12, a TSU de 23,75%, o subsídio de alimentação pago em dinheiro, o seguro de acidentes de trabalho e a medicina do trabalho. Por ano, cerca de 17.500€.
Que percentagem acresce ao salário bruto em encargos?
Em termos anuais, o custo total de um trabalhador representa tipicamente entre 130% e 145% da remuneração bruta: TSU patronal (23,75%), 14 meses de salário, subsídio de alimentação, seguro de acidentes de trabalho e medicina do trabalho.
Há apoios para reduzir o custo de contratar?
Sim. O IEFP tem apoios à contratação sem termo (com majorações por jovens, interioridade e igualdade) e há estágios comparticipados. Uma contratação bem planeada pode recuperar vários milhares de euros.
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Pedir o meu plano grátisMargarida de Sousa Dias
Fundadora da Digitask. Apoio administrativo e backoffice para microempresas e PME em Portugal.